quinta-feira, 6 de abril de 2017

Para os dias de não festa. Ou, saudades do que poderia ter sido.



Olha o calendário. Vê que dia é hoje. 
Há três meses vc me olhou. E eu te olhei de volta, distraído. Talvez eu tenha olhado antes, não sei. Mas estava distraído. E você me olhou. Eu lembro bem disso. 
E deveria ter parado aí. Como tantos outros olhares cruzados no mundo todos os dias. Que se perdem e ao mesmo tempo se perpetuam naquele momento. 
Mas não parou por aí. E há três meses, nesse mesmo dia, você entrou pela caixa de mensagens e puxou assunto. E em algumas horas você foi da caixa de mensagens para a minha cama. 
Há três meses, naquele instante em que te recebi na porta, ao te abraçar, eu sabia que tudo havia mudado em mim. Eu sabia disso quando o teu cheiro entrou pelas minhas narinas e reverberou aquele calafrio por todo o meu corpo. E já ali, consegui sentir o medo que atormenta os que não querem ficar longe. 
A noite foi surpreendente. Talvez porque eu não esperasse por nada demais. Talvez não tenha sido nada demais na verdade. Mas já estava sendo tudo pra mim. E aí, depois da euforia do sexo, vieram teus olhos. Ah... os teus olhos! Indecifráveis. E tão penetrantes que era quase impossível olhar para eles sem sorrir desconcertado. E acho que depois de muito tempo foi a primeira noite que dormi sorrindo. 
Eu nunca te contei, mas acordei várias vezes durante aquela noite pra te olhar dormindo. Era como se você fosse meu de verdade. Mas não era. A manhã te levou de mim. E deixou a promessa de te devolver pela noite. Assim foi. Pelos dias seguintes. 
Eu já sabia que a partir dali eu viveria de angústia e dor por tua causa. Mas segui. Naquela noite e nas outras. E então percebi que, quanto mais eu me entregava, mais você fugia e se fechava. O movimento era proporcionalmente contrário. 
Sabe? Você deveria ter ido embora naquela noite que te pedi pra ir. Mas você não foi. Naquele momento você já sabia o estrago que iria causar na minha vida ao ficar ali. Eu te falei isso. E eu já sentia que depois daquela noite você não voltaria mais. 
Nessa noite, eu não sorri mais. Nas outras, eu só chorei. Mas vc não estava mais aqui para saber. E quando te pedi ajuda, quando te pedi respostas, você se calou. Na nossa última despedida vc me perguntou pq meus olhos pareciam tristes, e eu respondi que estava triste porque sabia que à partir dali você desapareceria da minha vida. Você sorriu como se eu fosse um tolo e jurou que isso não aconteceria. Mas foi o que aconteceu. Eu consigo ler as pessoas. E isso não é um dom, às vezes é uma maldição. 
Lembra daquele sentimento? Aquele que te assusta e que você dizia ser impossível eu sentir por você em tão pouco tempo? Pois é, hoje faz três meses que o sinto. Em cada molécula do meu corpo, em cada pensamento fugitivo, em cada minuto do meu dia, em cada suspiro sem esperança de que algum dia isso passe. 
Eu ainda espero, mesmo me sentindo um tolo, e sabendo que não vai acontecer, mas ainda espero... talvez a palavra seja fantasio, já que sei que não vai acontecer, então fantasio aquele dia que vc vai chegar, por uma mensagem, por uma ligação, ou pela porta da frente, dizendo que reconhece que errou, que foi cruel, e que espera minhas desculpas. Dizendo que conseguiu, como planejado, as férias pra vir me ver. Dizendo que foi tudo um erro e que não vai mais descuidar de mim. 
Talvez, depois disso, tudo passe. A tormenta, a angústia, a dor... o am... aquilo que não posso dizer que sinto. 
Talvez Vinícius e Tom tenham razão: 

"Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado"

Pode ser que então, depois de te perdoar porque você reconheceu que não foi bom comigo, eu consiga seguir em frente, livre desse lixo emocional que carrego desde aquele dia e que me pesa tanto. Talvez eu siga por um caminho e você por outro. Sem mágoas, sem arestas arranhando, sem olhar pra trás. Mas com a certeza da honra, da dignidade, do caráter, do respeito. 
Daqui a quatro dias é meu aniversário. Seria um bom presente. Seria o melhor presente. Mas assim como a mensagem que te mandei no teu aniversário e você ignorou, sequer agradeceu, eu sei que isso vai ser apenas um sonho, como a festa surpresa de aniversário que nunca tive. Mas, sabe? Talvez sempre tenha sido só um sonho. Um sonho só meu. 
Sabia que de dois anos pra cá eu organizo festas surpresas pra mim mesmo no meu aniversário? É divertido, e triste também. Não é loucura. É desistência. Cansei de esperar alguém que queira, de repente, me fazer sorrir, me fazer um bem. Alguém que queira cuidar de mim e mostrar isso com ações. 
Talvez eu me mande uma mensagem de aniversário em seu nome, falando tudo que eu queria que você falasse. Afinal, sempre fui eu quem falou tudo. Você era o que ficava calado, fugia, escondia as respostas. Pode ser triste, mas pode também ser a última ânsia de felicidade. 
E pra você, que não vai ler isso, saiba: ainda está tudo aqui. Como já estava no primeiro dia. E você não conseguia acreditar. Não que isso mude em algo o seu comportamento comigo. Mas eu só queria te dizer que eu sempre estive disposto a tudo, e fui verdadeiro. Que tenho medo e vergonha de dizer que talvez ainda esteja disposto. Mas você, até onde mostrou, não.
Então vou morrendo desse sonho a cada dia. Pois os sonhos não realizados, os sentimentos não entregues, as palavras não ditas, os momentos não compartilhados, vão apodrecendo em nós, e nos envevenando aos poucos. 

Acredito que é isso o que chamam morrer de amor. É morrer e continuar vivo. Sentindo-se morrendo uma nova morte a cada novo dia de ausência.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Do que não acontece e atormenta

Não consigo entender pq nada faz sentido nessa vida e ainda assim esperam que sejamos felizes. 
Não consigo entender pq de repente o cansaço, o desânimo, e a vontade de parar tudo são as únicas coisas que sinto, desde a hora que acordo até a hora de dormir. 
Não consigo entender pq insisto em lutar contra a força da vida que esfrega o tempo todo na minha cara que meus esforços são inválidos. E me vejo esgotando minhas energias vitais em projetos que até hoje não deram certo. Como se minha vida fosse um looping de murro sobre murro na ponta da faca. 
E penso em me arrepender de tudo que fiz até aqui. E não insistir mais nesse esforço sobre-humano por uma causa perdida. Por uma paixão, uma ideologia, um sonho. Um sonho pessoal, profissional, um sonho de um mundo, um sonho pelos outros, por algo maior que eu. 
Nada vai dar certo. Não, não vai mesmo. Talvez eu precise apenas aceitar isso, e seguir sem fazer sentido algum, e me tornar um trabalhador morto-vivo que precisa pagar contas (quase sempre as mesmas) todos os meses. 
Que vontade... ah! que vontade de parar com tudo isso e só descansar. E só viver. Mas sempre haverá o desejo. Sempre haverá o sonho. E sempre haverá a solidão. Ela, a coisa mais escura que me habita. Sempre haverá o não-amor, a falta de gentileza, de cuidado e de empatia. Sempre haverá a incompreensão. Da família, dos amigos. O não-alcance do que me desdobro para explicar. As limitações. Sempre haverá o "prático", o "objetivo". Sempre haverá o que dói, o que mata a cada dia. Sempre haverá o nó na garganta e os punhos cerrados, o gosto de sangue na boca. Sempre haverá aquele "eu te amo" que não convém mais ser dito, e que fica acorrentado, preso no coração, pesando na vida. Sempre haverá essa contagem regressiva que é a vida. 
Sempre haverá eu, e eu mesmo. Sempre haverá a vida tramando o que não posso controlar. 
E sempre, sempre, haverá esse vazio que nasceu comigo e nada pode preencher. Esse vazio da natureza. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O que virá pode já estar aqui.


Faltam poucas horas para o ano terminar e eu não consegui encontrar a lista que criei há um ano, no último dia de 2012, com coisas que me propus a fazer em 2013. Mas não importa. Sei que não consegui fazer muitas coisas que planejei para esse ano. Mas sei também que fiz tantas outras que não estavam nos planos e que cruzaram meu caminho. Escolhi abrir mão de coisas planejadas, e as troquei por aventuras incertas. Porque no final é assim mesmo, você não pode planejar o próximo passo, simplesmente porque pode não haver onde pousar os pés. É como andar em um lugar desconhecido com os olhos vendados, você sabe que tem que se mover, espera um chão firme para receber o próximo passo, mas não pode prever se irá pisar na terra, na lama, na água, ou até mesmo no vazio do precipício.
Por isso, meus caros, não nos preocupemos tanto em perder tempo traçando planos ideais. No fundo todos sabemos do que precisamos, e que cabe a cada um de nós encontrar um caminho até nosso ponto de chegada. Vamos nos abrir para os acontecimentos, vamos procurá-los, vamos fazê-los!
Para 2014 não tenho planos, tenho desejos. Desejo mudanças, pois mudar é preciso. Mude de visual, mude de emprego, de casa, de namorado... mas principalmente: MUDE DE OPINIÃO! Olhe o mundo ao seu redor, veja as pessoas felizes e seus motivos, veja as pessoas tristes e seus motivos. Mude seus conceitos sobre certo e errado, sobre justo e injusto, mude também e principalmente seus conceitos sobre você e o outro. Somos mais felizes quando aceitamos nossos erros e nossas imperfeições, pois só conseguimos lutar contra algo que existe. É esse o primeiro passo para sermos pessoas melhores. Somos mais leves quando abrimos mão das expectativas com relação ao outro. Nos sentimos mais realizados ao fazer algo bom do que ao fazer algo ruim para alguém. Cuide do outro, mas cuide também de si próprio. A felicidade de alguém não deve custar a sua tristeza. Fale. Fale muito. Fale pelos cotovelos. Mas fale de sentimentos, fale de idéias, de coisas construtivas. Não guarde lixo emocional. Acerte as contas, apare as arestas.
Agora preste atenção. Esse talvez seja o melhor conselho que eu posso te dar: SORRIA DE VERDADE. Não se sinta obrigado a sorrir por conveniência. Sabe aquela coisa de repetir tanto a mesma mentira que acabamos acreditando nela? Pois é... hoje sorrimos muito sem vontade, e sempre respondemos que está tudo bem quando nos perguntam sobre a vida. No final acabamos achando que está tudo bem, e que a vida talvez seja essa coisa morna e com gosto de dieta. Procure o que te faz feliz de verdade e reaprenda a sorrir. 
Seja feliz! E escolha a cada dia fazer algo que deixe alguém feliz. Porque felicidade ilhada não sobrevive.
Então que venha 2014. E que traga boas surpresas para cada um de nós.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pelo que virá




Papel e lápis nas mãos. É hora de fazer a lista do que deixar em 2012 e do que carregar consigo para 2013. Sem dúvida é bem mais fácil deixar pra trás as coisas, os objetos, os bens materiais. Já não posso dizer o mesmo sobre as pessoas. É uma decisão dura, pesada, doída, essa escolha de deixar para trás alguém que outrora ou até mesmo ainda hoje tem alguma importância na sua vida.
Acredito que essa é uma decisão que não somos nós quem tomamos, mas sim os outros. Na verdade são as pessoas que escolhem se querem permanecer ou não na sua vida, e elas te dizem isso através das atitudes que tomam com você.Eu escolhi levar para 2013 pessoas que me fazem bem, e que me façam perceber isso. Levo comigo gente que gosta de dizer que me ama, e não queira esconder isso seja de quem for. Mais importante, quero levar quem me faça sentir esse amor. Não só em palavras, mas em atitudes. Na minha lista de aprovados tem gente daqui, tem gente de longe, tem gente que eu até mesmo nunca vi. O que é estranho? Estranho é não estarem na lista algumas pessoas para as quais eu dediquei boa parte do meu tempo em 2012. Estranho é eu deixar essas pessoas em 2012 e me perguntar se devo levar ou não até mesmo as boas lembranças que tenho com elas por não saber se foram de verdade ou se foi tudo mentira.Mas acho que deve ser assim, né? No final a vida deve ser essa grande interrogação, que causa esse incômodo, essa eterna dúvida do certo e do errado, das decisões que talvez não possam ser corrigidas. E dos erros e arrependimentos que teremos que carregar pra sempre. Espero não ter sido o erro da vida de alguém. Sempre me esforcei para ser as boas lembranças, as verdadeiras, consistentes. Quero a oportunidade de poder me desculpar se por alguma razão causei dor ou feri a alma de alguém. E fazer diferente da próxima vez.Que venha o ano novo trazendo o que for novo. E que ele cuide bem e conserve o que for antigo e nos faz bem. Tenham um feliz ano novo. Sejam felizes nas novas escolhas. Deixo pra vocês meu coração aberto a receber o que vier de bom, e dele podem levar o que tenho de especial, pois é disso que vivo, da felicidade de dar algo bom para alguém.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um texto dedicado.

Me desculpem os agendados, mas para mim um dia não comporta o sentimento que tenho pelos meus amigos. Jamais conseguirei dar aos meus amigos todo o amor que tenho por eles em apenas um dia. Na verdade acho que o dia carece de muitas horas para que eu passe junto deles, o ano carece de muitos outros dias para que possamos nos divertir o quanto queremos, e a vida... ah, a vida precisaria ser infinita para passarmos juntos por todas as experiências.
Eles são muitos. Alguns ficaram longe, na geografia ou no tempo. Outros estão tão perto que nem as dimensões continentais desse Brasil conseguem fazer eu sentir diferente. Cada um guarda em si um segredo sobre a vida que eu vou desvendando aos poucos, e essa descoberta é encantadora. E não pensem que quando o segredo é desvendado por completo a amizade perde a graça. Nessa hora acontece uma coisa mágica chamada sintonia. E cada um é capaz de entender perfeitamente o outro, mesmo em seus momentos de vacilo, mesmo em seus momentos das loucuras menos explicáveis. E é então que duas pessoas podem se comunicar apenas por olhares. É quando um é capaz de ler a respiração do outro. Há relatos de sintonias tão afinadas que os envolvidos chegam a desenvolver um sexto sentido em relação às aflições do outro.
Sou a favor de que AMOR entre como sinônimo de AMIZADE nos dicionários. Pois a amizade se for verdadeira não merece definição menor que essa. Existem amizades de todos os tipos, para todos os gostos. Eu, como sou de alma gorda, gosto de provar o sabor de todas. As que me dão trabalho, as que me trazem alegria, as que me dão conforto e segurança, e até as que às vezes me fazem raiva. O importante pra mim é saciar essa fome das emoções que só os amigos podem oferecer. E a vida tem me oferecido um menu bem variado. Sou feliz por isso.
Amizade, meu caros, é algo que vai muito além do oba-oba das festinhas e baladas. É algo que se estende à vida íntima, que cria cumplicidade, que constitui uma família afetiva. Amizade cuida, briga, se dedica... de verdade, com vontade. Amigos sempre falam a verdade, e amigos sempre entendem a visão da verdade de cada um, mesmo que a verdade seja dolorosa para si. Se não for assim não é amizade, é qualquer outra coisa. Pensem em um nome aí, pois eu não quero me ocupar de algo que não seja pleno, que não seja profundo. A amizade não é superficial.
Aos meus amigos eu agradeço por todos os momentos juntos. Por serem sempre fiéis e tolerantes. Por tentarem entender a confusão de sentimentos que explode dentro de mim e nem eu mesmo consigo entender. E por me trazerem segurança quando esses sentimentos parecem mais fortes que eu. Aos meus amigos eu agradeço pelo que sou, pois é por causa de cada um deles que eu sinto vontade de ser melhor, de ser mais de verdade, de me livrar de cascas que me revestem e impedem meus passos na direção da felicidade.
Aos amigos das outras pessoas eu peço desculpas, mas os meus amigos sempre serão os melhores do mundo.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sentidos

É lascivo o tremor que me provocas.
E o fogo que me arde, longe de qualquer pureza poética, é visível aos olhos, sensível ao toque.
Teu cheiro me faz refém como uma droga. Teu hálito. Teu suor. Teus cabelos.
É nos teus olhos que me procuro, e os meus... são teu espelho. Para me encontrar eu preciso perder-me em ti.
O que mantém meus pés no chão é o teu peso sobre mim, tua massa bruta e ingênua.
Minha alma se alimenta dos teus vapores. E é do nosso suor que o amor vem beber na fonte.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O que me vem e o que fica.

E quando questionamos aquilo que sempre nos manteve de pé? E quando nossa verdade absoluta já não convence mais nossa ânsia de uma ilusão perfeita, ou minimamente equilibrada?
São pensamentos aleatórios e desencontrados que nascem da instabilidade emocional, do conflito de desejos, da contraposição entre o querer e o ser, estimulado pelo querer-ser. Que frágil é a estabilidade! Talvez a coisa mais frágil com a qual eu lidei a vida inteira. O equilíbrio é a coisa mais instável que existe, pelo menos no mundo do meu conhecimento, basta uma brisa de incerteza para que tudo volte ao estado natural de caos. E porque tentar controlar essa força que é o caos? Porque não aceitar a imposição da vida e no lugar de lutar contra ela deixar-se levar para onde as ondas de acontecimentos nos empurram?
Eu ainda acredito na formação, na formatação das pessoas, e simplesmente na minha constituição existem elementos morais, éticos, humanos, que foram se consolidando e que parecem não fazer consonância com o que é imperativo à sobrevivência social. Até onde isso me incomoda? Até onde a alma, até onde os olhos, até onde a dor pode alcançar... talvez bem mais longe que isso, já que esses horizontes parecem sempre se expandir.
E porque aceitar essa condição? Simplesmente porque não sei ser diferente, e sinceramente porque nem ao menos sei se quero ser diferente. Aprendi que as coisas sempre nos deixam melhores de alguma forma, sempre apuram algum sentido, alguma virtude, algum vício. E porque não dizer melhor se aprendemos a conhecer o que há de ruim também? Afinal, o doce seria bem menos doce se não houvesse o amargo, e o bom talvez fosse apenas uma rotina entediante se não houvesse o mau.
Eu gosto de sentir o que me vem, e não rejeito a sensação do incômodo. As emoções íntimas são etéreas, só eu sinto, só eu busco definir. O esforço em dissimular dor é sobrehumano, e nem sempre eficaz. Mas sigo assim, enquanto achar que vale a pena. Pois o dia que não valer a pena sentir, não valerá a pena existir.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Garimpando epifanias

Eu procuro por pequenos milagres
Eu quero ver luz ao abrir os olhos
Eu respiro fundo para alcançar o cheiro do dom
E quando fecho os olhos espero viagens

Todos os dias vivemos algumas mesmas situações, e os ciclos sempre se repetem. Mesmo quem não vive uma rotina padrão, repetitiva, acaba de alguma forma caindo no mesmo de algum tipo de diversidade. E sempre me pergunto de onde vem essa necessidade sufocante de coisas novas. E sempre me pergunto porque a novidade não se sustenta por muito tempo.
Eu procuro, como uma planta procura a luz para sobreviver, eu procuro epifanias. Eu procuro justificativas, respostas, motivos para valer a pena. E sei que é preciso ver milagre em todas as coisas, do contrário tudo se resume a tédio e desordem. E talvez o caos seja mesmo essa harmonia fora de ordem que sempre dá certo no final e eu nunca entendo o porque. O que me queima e eu rejeito pode ser a fagulha do desejo declarado, ou reprimido, que a controvérsia do medo não me deixa perceber. 
Talvez quando a pele murche e os pensamentos tropecem no tempo, o consciência etérea consiga satisfazer a fome de vida que o corpo jovem não é capaz de encerrar.

sábado, 4 de setembro de 2010

Aprender com o diferente

Esses dias andei pensando sobre como as pessoas estão ficando intolerantes. Na verdade um evento bobo desencadeou esse pensamento na minha cabeça (pensamento no pé é que não dá, né, Paulo?). Postei algo no Twitter, que de tão banal nem lembro mais o que era, mas provavelmente falando que não gostava da "cor do cabelo da fulana de tal", e foi imediata a debandada de seguidores. Devo ter levado quase 10 unfollows. Aí, claro, fui verificar quais eram as pessoas que haviam se revoltado tanto com um comentário, e vi que duas pessoas eram frequentadores habitués da minha timeline e dos mentions, era gente com quem eu papeava, achava graça, tirava onda, eram pessoas que eu nunca vi na vida, mas por quem eu nutria um carinho verdadeiro. 
Fiquei triste, mais pelo fato de perceber o quanto as pessoas estão alimentando um egoísmo e um individualismo exacerbado do que pela própria perda de seguidores. E antes que vocês perguntem eu saio na frente respondendo. Sim, a intolerância é um traço de comportamento direta e intimamente ligado ao egoísmo. Alguém que não aceita a diversidade, tem a sua imagem de mundo como única verdade possível.
Eu percebo que no mundo no qual vivemos hoje, existe um culto doentio ao indivíduo, ao eu, ao único. O coletivo, o social, o compartilhado vem cada vez perdendo mais espaço. A competitividade se impõe na vida das pessoas que precisam sobreviver numa sociedade com um mercado de trabalho deturpado. É uma idéia que anda se alastrando de que devemos pensar no nosso bem estar, e que os problemas dos outros não nos dizem respeito, que cada um deve aprender a lidar com suas coisas. Não que esteja de todo errado, eu concordo até certo ponto de que as pessoas devem mesmo aprender a lidar com seus problemas, mas devemos admitir que sempre há algo que podemos fazer para no mínimo amenizar a dor alheia. Sem contar que nos faz um bem danado quando conseguimos deixar mais leve a vida uma pessoa, arrancando-lhe um sorriso, despertando uma fagulha de esperança de que a vida vai melhorar e que tudo vai dar certo. 
Eu quero dizer aqui, que eu não me sinto bem com esse modelo que vigora de sucesso pessoal, essa coisa louca de passar por cima de tudo e de todos para se dar bem na vida, e cada um que se salve! Para mim, sucesso é você conseguir viver em um ambiente de paz, harmonia entre as pessoas, confiança. Para mim, sucesso é você fazer o bem a quem não lhe pede nada, e maior sucesso ainda é você fazê-lo por aquele que te pede ajuda. Eu não quero com isso dizer que o mundo seria perfeito assim, eu acredito sim que todos nós temos os nossos interesses pessoais, e que sempre esperamos algo em troca da nossa dedicação, mas algo espontâneo, natural, algo como um obrigado, um reconhecimento pela dedicação que você tem a alguém.
Eu tenho medo do mundo onde a diversidade não tem vez. Principalmente a diversidade de pensamento.

sábado, 28 de agosto de 2010

De tempo em tempo

As pessoas costumam dizer que temos todo o tempo do mundo para realizarmos nossos sonhos, mas alguma vez você já parou para tentar dimensionar quanto é "todo" esse tempo? Outro dia fiz um retrospecto da minha vida e atentei para certos fatos. Hoje eu tenho 30 anos, metade de uma vida dita socialmente ativa, e o dobro do tempo de quando tinha vários planos e ilusões na cabeça, e principalmente no coração. É como se eu estivesse na metade do caminho, é uma espécie de contagem regressiva, e isso me causou certo desconforto, uma espécie de "agora é uma corrida contra o tempo".

No alto dos meus 15 anos, eu imaginava que aos 30 minha vida seria bem diferente do que é hoje. E me pergunto o que aconteceu para que as coisas não tenham acontecido. A resposta é simples, o tempo passou e não foi suficiente para todos os planos. Hoje percebo que boa parte desse tempo passou enquanto eu esperava a ocasião perfeita, o momento ideal para começar a colocar os planos em prática. Foi aí que eu errei. Não existe o momento ideal para começar a perseguir seus sonhos, existe sim, o momento exato para isso, e esse momento é agora mesmo. O mundo não vai se configurar da maneira perfeita para que você simplesmente abra os olhos e tenha tudo o que quer ao seu alcance. Esse cenário é cada um de nós que deve ir montando, como um quebra-cabeça pessoal, como escrever um livro, página por página, dia após dia.

Entenderam aonde quero chegar? Sim, quero chegar no clichezão do "não deixe para amanhã o que pode fazer hoje mesmo". É super lugar comum, mas é a mais pura verdade natural. Não temos todo o tempo do mundo para fazer as coisas. É só parar pra pensar em quanto tempo o mundo está aí. Você acha mesmo que tem todos esses milênios pra realizar seus planos? Não, nosso tempo é muito mais curto, temos apenas o tempo de uma vida para fazer valer a pena. E uma vida, meus caros, passa num piscar de olhos.

Acreditem, quem vos fala isso é alguém que constantemente percebe que está perdendo tempo e se esforça em tentar aproveitar da melhor maneira possível essa nesga de existência que cabe a cada um de nós na história da humanidade. Não importa se é pouco tempo para muitos planos, não importa que não haja tempo suficiente para viver tudo. O que não podemos é deixar de andar, e de tentar viver o máximo possível, com intensidade, porque uma vida superficial não vale a existência, meus amigos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Santa Inquisição virtual

Escrevo esse texto para me desculpar de uma coisa e tranquilizá-los com relação a outras.
A vida de vez em quando prega umas peças na gente, a vida de solteiro então nem se fala!
Passa que depois de 30 anos de solteirice o cara começa a ficar meio desesperado, entendem? Acho que não, acho que esse recorde de solidão é só meu e ninguém tasca! Mas vamos aos fatos. Um belo dia estou eu abrindo minha caixa de entrada quando de repente dou de cara com uma dessas correntes que vivem infernizando a vida de todo ser vivente desse universo virtual, era uma corrente de bruxas, você lê um texto, faz uma contagem regressiva e depois um pedido para as danadas. Claaaro que no fim de tudo você tem que passar a mensagem para 2.338.758.15 pessoas. Devo dizer que nunca, em toda a minha vida virtual eu acreditei em correntes, nem mesmo na vida real, nunca passei aquela corrente de Sta. Edwirges, a santa terrorista, que se você não fizer a corrente seguir adiante você e sua família vão morrer uma semana depois, todos assasinados por Jack o estripador!
"Acontece que na vida a gente tem, que ser feliz por ser amado por alguém...", pois é, não aguentando mais minha condição de solteiro-carente-depressivo-deseperado resolvi dar um voto de confiança para as tais bruxas, ainda mais porque o amigo que me passou a corrente eu julgo ser uma pessoa sensata e equilibrada (tá bom, estou revendo minha opinião sobre ele...kkkk), falou que era tiro e queda, o pedido dele se realizou 10 minutos depois, aí pronto, pegou no ponto fraco, porque sim, há pressa, muita pressa quando se vive há tanto tempo na minha condição de encalh...., não! eu me recuso a me adjetivar dessa maneira, minha condição... disponível (quase passando do prazo de validade na prateleira), então cometi o crime, fiz meu pedido, com tanta fé que chegava a doer a cabeça de tanta energia que eu busquei emanar para o universo, e depois, com toda a esperança de uma vida empenhado em fazer amigos e preserva-los repassei a tal corrente, agora já pedindo para os amigos não desejarem minha morte e mais, torcendo para todos repassarem para os seus, claro, já que a corrente não pode ser quebrada, né? já imaginaram eu mais 30 anos solteiro? Quer dizer, 30 não, porque quando você não faz direito o retorno é sempre 10 vezes pior, viveria várias encarnações solteiro, ninguém ia me aguentar, seria a antipatia em pessoa.
O tempo passou e aqui estou eu, ainda na frente do computador esperando e procurando, orkut, facebook, twitter, msn... nada, ninguém, e como bruxa que é bruxa faz feitiço instantâneo eu já desisti. Na verdade desde 11 minutos depois da desgraça feita eu já havia desistido, mas sabe como é, né? a gente acha que o amor da nossa vida pode estar demorando porque pegou um trânsito danado (que nem é tão louco assim em Belém) afinal, como diria um grande amigo, não espere seu principe num cavalo branco que isso não existe mais, o importante é que ele chegue de espada em punho (não, Ricardo, eu não espero mais um príncipe num cavalo branco, pelo tempo que esperei eu agora quero um com 160 cavalos e motor turbo... mas ok, branco! e conversível!). 
Outro dia eu andava pela rua e vi um sapo, ele me seguiu por alguns metros, olhei para um lado, olhei para o outro, e graças aos céus a rua estava cheia de gente. Eu juro que considerei a possibilidade de catar aquele nojento num canto e mandar ver um beijo nele!
É isso meus amigos, só queria dividir esse pecado com vocês, pedir desculpas aos que receberam a corrente (não, não tenho nada contra vocês, ao contrário, se mandei pra vocês é porque confio muito em vocês e na capaciddae que vocês têm de não me odiarem), eu prometo nunca mais fazer isso de novo.
Aos que costumam enviar correntes quero pedir que nunca mais incluam meu nome na lista para eu continuar nutrindo bons sentimentos por vocês (mentira! tenho medo de cair em tentação denovo). 
Ao Fausto quero dizer que te perdoei pro esse deslize.
Às bruxas quero dizer que vão pra putaquepariu e voltem à escola!!!
Beijos em todos e não desistam, amigos, continuem procurando alguém pra mim. Não quebrem essa corrente!!!
Amo todos vocês (pelo menos esse amor eu tenho em abundância na minha vida!)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Síndrome de avestruz

Sabem quando  temos uns dias de avestruz? Aqueles dias em que temos vontade de enfiar a cabeça na terra para fugir de tudo que se passa ao redor? Pois é, como nada na vida é perfeito, a estratégia do avestruz também não vai funcionar, simplesmente porque isso tudo é lenda. Abrindo um parêntese para uma breve observação biológica, o avestruz não enfia a cabeça na terra quando está com medo, ele simplesmente encosta a cabeça no solo para sentir melhor as vibrações e assim saber quando algum perigo se aproxima, como sua cabeça é muito pequena se comparada ao seu corpo, de longe parece que está enterrada em algum buraco.
Agora voltando para os humanos-pseudo-avestruzes, a má notícia é que não há o que fazer. Você não pode simplesmente enfiar a cabeça em um buraco qualquer (e tem gente que leva isso muito a sério) para fugir de situações que te desagradam, momentos em que é difícil olhar nos olhos da vida e perguntar em voz alta: e agora? Ou pior ainda, momentos em que é preciso olhar seus próprios olhos no espelho e fazer para si mesmo essa pergunta.Talvez a própria vida esteja tão assustada quanto você diante dos fatos. Mas quem falou que a natureza não tem suas estratégias? E a coisa pode não ser tão perfeita como queremos, mas algum proveito podemos tirar dos ensinamentos do mestre avestruz. O que quero dizer, meus caros, é que existem momentos em que devemos parar, respirar fundo, e chegar bem perto do problema, talvez tocar nele para sentir sua vibração. É preciso perceber o que a vida espera da gente, é preciso confrontar com aquilo que esperamos dela. Quem tem mais a oferecer? 
Simples, né? Rápido percebemos que somos uma insignificância se comparados à infinidade de possibilidades que a vida nos oferece. Porque sofremos então? Porque somos passionais, meus leitores, desejamos as coisas de tal forma que entendemos não conseguir viver sem elas. Não aprendemos a abrir mão de nossos desejos, não é da nossa natureza desistir de algo que nos dá prazer (prazer?). Alguns chamam de orgulho, outros de questão de honra, há ainda os que acreditam ser pura vaidade. É verdade que se desistirmos de nossos objetivos ao primeiro sinal de dificuldade nunca iremos chegar a lugar algum, muitas vezes é preciso resistir quantas vezes forem necessárias. Acontece que existem desejos e desejos, alguns são necessários, outros totalmente dispensáveis, e são justamente esses que mais nos atormentam, enquanto aqueles deixamos de lado facilmente.
É muito difícil aceitar que não conseguimos lidar com nossos problemas, mas basta olhar ao redor para ver que isso é comum. É tolo aquele que acredita existir alguém inabalável diante de determinadas situações, mais tolo ainda aquele que acredita ser esse alguém. Então, o primeiro passo para resolver as pendências com a vida e o tal destino (se é que existe um) é aceitar que existe um problema, e que provavelmente sua solução depende de uma renúncia. Ou vocês pensavam que algo viria de graça? Não, é preciso saber negociar com a vida, sem isso ela nem ao menos nos dá ouvidos. E renúncia depende de desprendimento, de deixar ir, mesmo que com o coração amassado. É preciso saber a hora de abrir mão, é preciso ter consciência dos seus limites.
Enfim, não há receita receita para lidar com os problemas que nos sufocam a cada dia e cada vez mais. Mas com certeza há contraindicações e uma delas é que se você, na tentativa de fugir dos seus problemas enfiar a cabeça no buraco, corre o risco de morrer sufocado, e não é pela terra, mas sim pela própria dor reprimida e pelos pensamentos não revelados. O avestruz já aprendeu isso.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As honras da casa.

Antes de tudo é necessário se apresentar. Assim diz a regra da boa etiqueta social, que muito adequadamente se aplica à etiqueta virtual. Então vamos começar deixando claro que o que virá pela frente não pretende ser um ensaio sobre coisa alguma. Na verdade nem sei o que virá pela frente, mas sei bem que algo virá. Sei disso porque sempre há algo logo ali, virando a esquina, e por mais que tenhamos a vontade de ficar parados, a vida vai nos empurrando adiante e nesse trajeto acabamos por cruzar com coisas, cenas, situações, pessoas e sentimentos dos mais variados tipos. E é disso que pretendo falar aqui, das coisas comuns a todos nós, das coisas que sentimos, daquilo que dizemos e também calamos.
A ideia é que esse seja um espaço de estímulo ao debate, para que considerando os diversos pontos de vista que formam nosso meio social possamos entender um pouco melhor as ações e reações que todos apresentam diante de determinadas situações. Não devemos deixar nada escapar, é preciso entender tudo. Pelo menos o que estiver ao nosso alcance, esse é o objetivo principal. Não que o entendimento dos fatos mude a forma como sentimos, isso é particular de cada um, e não é de hoje que sabemos que razão e emoção nunca foram boas amigas, mas é legal quando uma entende os motivos da outra.
Então vamos parar de divagar acerca de temas ainda abstratos e vamos dar lugar à apresentação deste mero "mais um". Mais um homem de 30 anos (na data desta postagem), mais um publicitário (que não sabe como veio parar aqui), mais um filho (parte mais velho, parte caçula), talvez um dia mais um pai (quem sabe?), mais um louco fantasiando ser um normal (ou vice-versa), mais uma pessoa insegura (que pede desculpas pelos vários parêntese), mais um à procura de respostas (e ao mesmo tempo cheio delas). Prazer, Paulo Gomes.